O sistema educacional do futuro - parte IV

CONHECENDO CADA FASE EM RELAÇÃO A MENTE

 A mente absorve e processa as informações recebidas através de nossos cinco sentidos: visão, olfato, paladar, audição e tato. Cada informação recebida provoca uma sensação boa ou uma sensação ruim. Tanto as boas quanto as ruins são armazenadas no processo e formarão a base para as reações do ser humano.

Por exemplo: quando recebemos uma demonstração de carinho e afeto, como um sorriso e um olhar amoroso, a nossa mente transforma isso numa sensação positiva que nos faz sentir bem, ou seja: [demonstração de carinho = sensação boa = alegria] ou [demonstração de raiva ou desprezo = sensação ruim = tristeza, depressão e revolta].

Portanto, se quisermos que os nossos filhos se tornem adultos felizes, devemos criá-los com sensações boas, o que não significa fazer tudo o que eles querem, mas sim, falar com eles com respeito e sempre com voz branda e atitudes que não agridam, proporcionando-lhes sensações boas. Se uma criança quer algo que não podemos fazer ou lhe dar no momento devemos calmamente argumentar e dar uma explicação, mesmo que ela não entenda o conteúdo do argumento, mas, como lhe foi dada a atenção merecida, a sensação não será ruim porque a criança não recebeu nenhuma agressão. Depois devemos lhe dar uma opção de algo que ela pode ter ou fazer e assim desviar a atenção daquilo que não pode obter no momento.

O mundo já se encarrega de nos proporcionar muitas sensações ruins e é por isso que devemos formar uma base sólida de sensações boas para combater as que inevitavelmente receberão de fora. A família e principalmente os pais são canais de sensações boas. As sensações ruins serão aprendidas na escola e na rua, por estranhos. Se a criança tem suas sensações boas com os pais e a família, ela vai preferir ficar onde se sente bem. Se a criança receber as sensações boas de estranhos, ela vai se afastar aos poucos da família e dos pais e estará sujeita a caminhos destruidores em sua vida.

Vejamos, por faixa etária, como funciona a mente:

De 2 a 3 anos
A mente de uma criança de dois a três anos está ainda na primeira fase do seu desenvolvimento e por isso tem certo limite de compreensão:

- a criança vai gostar e assimilar apenas o que for ensinado com simplicidade e de forma repetitiva. É por isso que gosta de ouvir a mesma história um monte de vezes. E como ela ainda não está com o processo da memória formado, ela esquece com rapidez.

- a sua concentração é curta, mas também é intensa. A criança nesta idade pode se concentrar apenas em uma ideia de cada vez, focalizando só uma imagem por vez e pode prestar atenção na mesma coisa só dois ou três minutos de cada vez. Estas são as limitações que devemos respeitar na criança de 2 a 3 anos e não devemos exigir o que ela não pode ainda fazer. Entender isto é respeitar a criança.

- nesta idade a criança conhece da língua materna, por volta de 700 palavras. A criança começa usando palavras soltas e depois consegue formar pequenas frases. Ela não pode ainda expressar tudo o que aprendeu porque a sua memória é muito curta ainda. Por isso pode prestar atenção em uma história curta e depois de ouvi-la várias vezes, ela vai se lembrar de fatos apenas. Se a história é alterada a criança percebe, mas não é capaz ainda de repeti-la. Como a sua memória é curta ainda nesta idade, logo ela vai esquecer o que acabou de ouvir. Não brigue com a criança se você já falou e ela esqueceu: ela esqueceu porque a memória dela ainda é curta!

- nesta fase também, a criança está descobrindo o mundo e também descobre a si mesma. Os pais são responsáveis por estar sempre alertas para saber se a criança está em um lugar seguro, sem nada que possa machucá-la, ou que não haja produtos de limpeza e coisas que ela possa engolir e sufocar. É preciso ficar de olho, mas sem oprimir. Devemos optar por um ambiente adequado à criança. Se não houver nada de perigoso ao alcance de suas mãozinhas e o ambiente for adaptado à curiosidade da criança, estaremos colaborando abundantemente para o seu crescimento sadio. A criança poderá brincar e nós estaremos mais tranquilos. Com esta simples atitude de tirar tudo o que é perigoso de seu alcance, não precisaremos correr ao pronto-socorro porque a criança se machucou ou engoliu algo que pode matá-la, como produtos de limpeza ou bolinhas de gude.

De 4 a 5 anos
 - a atenção que a criança de 4 a 5 anos pode prestar em algo ainda é limitada, mas já é mais ampla. Ela tem agora maior concentração e a memória está aumentando aos poucos: ela pode fixar a atenção em algo agora de 4 a 10 minutos dependendo da matéria e do interesse no assunto.

- o seu vocabulário está crescendo: a criança agora conhece de 1500 a 2000 palavras. Suas frases são curtas e usam mais o “eu” ou “mim” ou “meu”, pois é o que conhece por enquanto.

- ela está descobrindo a si mesma como pessoa e descobrindo o mundo a sua volta. Temos que nos encher de paciência porque esta é a fase das perguntas. Com tanta coisa para descobrir, a criança mostra agora que é curiosa e faz muitas perguntas por que quer aprender. Então vêm as incansáveis perguntas como ‘quem fez’ ou ‘de onde vem’ e é desta forma que a criança consegue manter a conversa com os adultos, pois precisa de atenção e carinho.

- a criança começa agora a relacionar as informações e utilizá-las para resolver problemas e confirmar suas próprias opiniões.

- nesta fase deve-se encorajar ao máximo o raciocínio, embora ainda aprendam principalmente pelo sentimento.

- a memória nesta idade ainda é curta e a criança ainda aprende e esquece com a mesma facilidade, mas tem uma imaginação muito ativa: inventa histórias (não confundir com mentiras), mas não entende a linguagem figurativa, pois não sabe interpretá-la: se dissermos “Choveu pra chuchu” ela vai pensar em um monte de chuchus caindo do céu.

- nesta idade ainda, o nosso pequenino não sabe perceber e entender o tempo e o espaço.

De 6 a 8 anos
 - na faixa etária de 6 a 8 anos o processo da mente que constrói a memória está quase completo e a criança agora consegue reter muito mais. E é também a fase da imaginação: a criança adora inventar histórias. Ensinamos agora a criança a ler e escrever que deve ser um aprendizado muito prazeroso e divertido. Quanto mais divertido, mais a criança assimila. Podemos usar melodias para a repetição das letras e sílabas. Canções sempre agradam muito e podem ser acompanhadas com alguns movimentos em pé. A criança consegue agora prender a atenção por mais tempo se o assunto for de seu interesse.

- nesta fase, a criança gosta de histórias de heróis e começa intermináveis encenações onde ela mesma é o herói e protagonista. Não devemos interferir em suas brincadeiras e nem fazer comentários sobre o que ela está falando. Muitas de suas falas serão repetições do que ouviu em desenhos na televisão ou conversas de adultos, mas logo passarão porque a criança não sabe ainda o sentido do que está falando. Se a repreendermos por algo que ela tenha falado e chamarmos a atenção sobre o assunto estaremos então reforçando e fincando em sua memória algo que logo seria esquecido se não falássemos nada, pois a criança repete o comportamento que a gente dá atenção.

- a linguagem figurativa ainda não é bem entendida nesta idade: por isso é preciso explicar o que queremos que a criança de 6 a 8 anos entenda de forma que ela possa compreender, ou seja, usando palavras que ela conhece e frases simples; se dissermos “está chovendo pra chuchu!” a criança vai imaginar um monte de chuchus caindo do céu, mas ela entenderá o simples “está chovendo muito hoje!”

- a criança nesta faixa etária gosta muito de brincar com números e palavras. Inúmeras atividades podem ser desenvolvidas para assimilar a sequência dos números e a construção de palavras gradativamente conforme o avanço do aprendizado de alfabetização. Impressões em papel resistente com números, letras maiúsculas e minúsculas e com sílabas podem ser manuseadas pelos alunos que vão aprender brincando. A visualização ajuda muito para reter as informações.

De 9 a 11 anos
 - a criança de 9 a 11 anos tem muita sede de saber e um desejo enorme de aprender. Ela gosta muito de leitura, e esta é a hora de incentivar deixando que escolha livremente livros sobre assunto de seu interesse. Se dermos apenas boas opções, elas aprenderão coisas boas contanto que sejam livros adaptados à sua faixa etária

 - a criança de 9 a 11 anos gosta de tudo o que lhe proporciona controle e conhecimento como jogos de ação e de raciocínio. Elas podem passar horas, dia após dia no mesmo jogo sem se cansar. É importante lembrar que uma criança desta idade ainda tem poucas responsabilidades (fazer lição de casa ou arrumar a bagunça) e podemos estabelecer horários para os jogos, mas não usar de chantagem ou abusar das regras, pois ainda é uma criança e a melhor parte da infância é brincar!

 - a memória da criança nesta idade é muito boa e o que ela vai aprender ficará gravado para a vida toda. Portanto temos que tomar cuidado com o que lhe ensinamos. Ensinar princípios e valores é muito importante nesta fase, pois elas aprenderão o que precisam para viver bem, felizes e em harmonia com todos, respeitando a cada um como ele é. Elas aprendem principalmente pelo exemplos que os adultos dão e o que absorvem no ambiente escolar ou opções de mídia. Canções de nossos compositores brasileiros também são ideais para estes ensinamentos.

 - nesta idade também a criança gosta de colecionar coisas. Não devemos interferir na escolha, a criança deve ser livre para colecionar o que tiver vontade. Com o tempo surgem outras ocupações e as coleções de criança serão esquecidas.

 - a criança agora já sabe relacionar tempo, espaço e acontecimentos; ela é capaz de descrever com detalhes o que aconteceu, onde aconteceu, quando e porque aconteceu.

- a criança já pode agora diferenciar perfeitamente entre realidade e imaginação. Nesta idade é comum se projetar como personagem de histórias e ela vai querer que tudo possa ser contado com a maior exatidão possível. Precisamos ter muita paciência e achar tempo para ouvir a criança sem interromper, deixando que ela se expresse e mostrando interesse pelo o que ela está falando sem ficar dando palpites ou julgando e criticando a história que ela está contando, pois nesta fase a criança está desenvolvendo suas habilidades em falar e não podemos intimidá-la em suas histórias. Não devemos dar muita ênfase no que é falado e sim no fato de estarem aprendendo a se expressar, essencial para o futuro social.

De 12 a 14 anos
 - a capacidade mental agora está quase atingida. O ser humano vai aprender a vida toda, mas o desenvolvimento do cérebro que guarda o raciocínio e armazena informações está quase completo.
 - nesta idade, nossos pré-adolescentes querem saber a razão de tudo: é a idade das dúvidas e não aceitam o que lhes é dito sem saber o ‘por que’. Vão igualmente rejeitar o que não é explicado adequadamente e vão pensar com seriedade. Porém tomarão decisões precipitadas, pois acham que já sabem muita coisa. Não adianta brigar com pré-adolescentes, eles estão aprendendo.

 - a imaginação nesta fase é bem ativa. O pré-adolescente gosta de aventuras e é pesquisador. Isso é ótimo para começar a descobrir o que vai fazer na vida. É importante incentivar as pesquisas e não dar opiniões sobre o que ele deve gostar ou se interessar.

 - o pré-adolescente também tem prazer em resolver problemas e fazer experiências para descobrir coisas novas. Precisamos orientá-los e não proibir suas experiências para não desmotivá-los. Quando desejam algo fora do alcance, é necessário explicar a razão e incentivá-lo à buscar outra possibilidade.

 Na próxima parte falaremos sobre as emoções.

Abraço carinhoso

Jocelyne Forrat - Preletora sobre Educação de Filhos - Para Novas Gerações Abençoadas e Libertas!
PROJETO "O Que é Que eu Faço com Meu Filho?" projeto.filhos@yahoo.com.br / jocelyneforrat@gmail.com

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