O sistema educacional do futuro - parte V

CONHECENDO AS EMOÇÕES EM CADA FASE

 O campo emocional do ser humano é parte dependente da alma: a cada sensação sentida o ser humano recebe uma emoção que pode ser boa ou ruim, conforme já mencionamos no artigo sobre o processo da mente.

O ser humano, do nascimento à tenra infância, não conhece nada do mundo e nem de si mesmo. Tudo o que lhe acontece se transforma em emoções, que podem ser boas ou ruins, dependendo da forma como chegam até ele. Nesta fase ele é muito sensível e mesmo brincadeiras podem afetá-lo negativamente.

Se nós pretendemos obter como resultado crianças felizes, com autoestima elevada, uma boa auto segurança e estabilidade emocional para lidar com problemas na adolescência e na idade adulta, uma base emocional sólida e positiva deve ser construída.

O que destrói esta base são agressões físicas e verbais ou brincadeiras de assustar e também o hábito de colocar medo com histórias mentirosas de ‘bicho papão’ ou do “homem do saco preto”. A criança assustada e insegura chora durante a noite ou ao acordar. Porém, se a criança cresce em um ambiente de paz, amor e afeto com pessoas carinhosas e pacientes, ela poderá se desenvolver saudavelmente e ter uma vida feliz e tranquila.

Vejamos como reage a criança em cada faixa etária:

De 2 a 3 anos:
Extremamente sensível, a criança de 2 a 3 anos absorve tudo o que está ao seu redor com sensações boas ou ruins. As boas vão tranquilizá-la e as ruins vão dificultar o seu desenvolvimento emocional.

- a criança de 2 a 3 anos reage ao clima emotivo e é sensível às emoções da mãe. Se a mãe está bem, a criança está bem; se a mãe não está bem, a criança fica inquieta sentindo que algo está errado e fica insegura. Então se a mamãe não está bem o melhor é pedir ao papai ou a vovó ou alguém que a criança conheça para cuidar dela enquanto a mãe se recupera.

- nesta fase a criança vai procurar por novas sensações: ela aprende diariamente e quer experimentar coisas novas para ter sensações novas. Para isso ela usa as mãos e a boca, querendo pegar as coisas e ver se tem algum gosto, da mesma forma que fazia quando era ainda bebê, aprendendo a reconhecer coisas novas. Devemos estar atentos para não deixar coisas perigosas ao alcance de suas mãozinhas.

- a criança nesta idade não é inibida e não sabe ainda dissimular: quando está zangada, ela mostra que está zangada e quando está interessada também.

- ela ainda é muito sensível e fica insegura perto de muita gente. Então se levarmos uma criança desta idade a algum lugar público ou uma festa onde tem muita gente, não podemos querer que ela logo vá brincar com os outros. Ela precisa de tempo para conhecer o ambiente e se certificar de que é seguro.

- nesta idade também, se uma criança chora, todas choram por que têm medo. Por ela ser ainda muito pequena e inexperiente conhecendo pouco do mundo que a cerca, as novas sensações que ela procura podem acabar assustando a criança. Ser separada da mãe a assusta: será que ela volta? Ela só vai se sentir segura com o que lhe é familiar, com aquilo que ela está acostumada a ver todos os dias. Ela teme a escuridão por não poder enxergar o seu ambiente e tem medo também de ruídos fortes, de estar sozinha ou com pessoas estranhas, tem medo de alturas e tudo mais que ela não conhece. Jamais coloque medo na criança em relação a bichos ou escuridão porque a criança pode crescer transformando este medo em pavor ou claustrofobia e não vai poder olhar por uma janela ou entrar num elevador ou dormir direito à noite porque tem medo de que algo aconteça.

- a criança nesta idade ainda confia em seus familiares totalmente e acredita em tudo que lhe falarem, mas a criança aos poucos descobre que está sendo enganada e vai perdendo a confiança. A confiança é muito importante para o desenvolvimento de qualquer relacionamento, pois quando a criança estiver maior aceitará melhor os conselhos dos mais velhos porque o relacionamento foi baseado em confiança. Se quando for maior, a criança descobrir que foi enganada e que as pessoas mentiram pra ela, ela vai achar que tudo o que falarem é questionável.

De 4 a 5 anos

Nesta faixa etária ainda, a criança é muito sensível. Se for tratada de forma desrespeitosa, a criança de 4 a 5 anos vai se revoltar não aceitando as agressões e não vai querer obedecer porque sente que há algo de ruim no tom de voz e na irritabilidade dos outros. No entanto, se a criança é tratada com respeito carinho, ela estará sempre pronta a colaborar e seu entusiasmo é contagiante. É preciso muita paciência nesta idade e, sobretudo nós devemos nos lembrar de que ela ainda é inocente e não faz nada por mal ou de caso pensado.

- no período de 4 a 5 anos a criança continua sentindo com intensidade: ela expressa claramente alegria ou ciúmes. Não podemos repreender ou ridicularizar a criança por expressar seus sentimentos para que não se torne introvertida. Mais tarde ela vai aprender, se ela tiver o exemplo dos pais, que não há razão para ter ciúmes e vai aprender a se socializar. Devemos dar tempo ao tempo, pois nesta idade a criança ainda não sabe lidar com seus sentimentos.

- ela também sente quando faz algo que sabe que é errado e fica constrangida, pois o pecado lhe parece algo muito grande. Devemos tomar cuidado para não aumentar mais o seu sofrimento. Ainda é pequena e vai aprender com o exemplo dos pais.

- é nesta fase que devemos desenvolver os sentimentos de valor próprio, de autoconfiança e de autoaceitação ensinando que ela pertence a uma família, e a um grupo na escolinha, para que não tenha problemas mais tarde com a rejeição. A rejeição é um sentimento altamente nocivo ao ser humano e pode destruir a sua vida.

- nesta fase se desenvolve também o senso de ritmo. A criança agora tem noção de ritmo e devemos mostrar boas músicas e até pode começar a tocar algum instrumento. Devemos escolher aquilo que a criança pode ouvir, pois ela vai repetir a letra da canção que vai formar ideias em sua mente e, quando tiver mais idade, ela poderá tomar decisões baseada nas letras das músicas que ela ouviu.

De 6 a 8 anos
 Com o início da escolaridade, as emoções estarão flutuando entre altos e baixos até a criança conseguir se acostumar com a nova rotina e os novos ambientes que frequentará vários dias na semana. São muitas novidades de uma vez e precisamos ajudá-la a lidar com esta nova fase, mostrando como tudo pode ser alegre e divertido e o quanto de coisas novas ela vai aprender.

 - para prender a atenção das crianças de 6 a 8 anos, as experiências precisam ser satisfatórias, ou seja, sobre assuntos que realmente vão interessar a criança e que contenham alguma lógica e sequência.


- a criança nesta idade se irrita se não puder se mexer depois de ficar muito tempo sentada. Devemos então propor atividades que possam fazer alternadamente sentadas e em pé. Jogos e brincadeiras com palavras e números podem ser feitas com as crianças em pé em círculo na sala de aula ou no pátio. Também brincadeiras que ensinem a cooperação e a solidariedade, ajudando quem está do lado. Não é recomendada a competição. A competição instiga sentimentos nocivos como o orgulho e a arrogância pra quem vence e a vergonha e o sentimento de inferioridade pra quem perde.

- a criança desta idade se zanga quando fracassa e esta atitude não deve ser comentada, pois é uma reação própria da idade e vai passar. Devemos, no entanto, abusar das palavras de incentivo e motivação convidando a criança a tentar novamente, ou dar outra ideia de ocupação ou brincadeira.

- a criança nesta faixa etária fica ressentida se for interrompida numa brincadeira ou atividade interessante. É difícil para ela largar a brincadeira, mas com jeito podemos conversar e falar sobre outras oportunidades que terão para brincar.

- é importante para a criança a aprovação daqueles à quem ela respeita, ajuda a firmar a autoestima e a se sentir bem consigo mesma.

- o temor e o medo ainda influenciam fortemente suas emoções por falta de experiência ou segurança, pois o desconhecido desperta receio. Não se deve de forma nenhuma colocar medo na criança. O medo é prejudicial para qualquer ser humano em qualquer idade. O medo bloqueia as atitudes e se não for sanado na infância vai se propagar durante toda a vida. Os cuidados que devemos tomar com a vida como, por exemplo, em relação ao fogo ou objetos cortantes e alturas deve ser explicado com naturalidade e não impondo o medo, pois devem ser consideradas como precauções. Quando sabemos o que é perigoso e o que pode acontecer, nós nos afastamos ou tomamos os devidos cuidados.

- nesta fase podemos começar a ensinar um pouco de compaixão, mesmo em meio às brincadeiras. É na convivência com os amiguinhos que preparamos a criança para o mundo e a socializamos.


De 9 a 11 anos
 A fase de 9 a 11 anos é a melhor fase: as crianças já se acostumaram com a escola e agora elas estão bem mais seguras e ousadas. É a fase divertida de fazer coisas em grupo e de aprender muito.


- a criança de 9 a 11 anos tem muita confiança em sua capacidade de vencer e devemos motivá-la. Porém, não é sadio incentivar a competição, pois ela desenvolverá o orgulho e usará isso para se vangloriar frente aos coleguinhas, perdendo muitas amizades e criando desprezo de alguns que prejudicará a sua autoestima. Porém, ensinar a criança a vencer as suas próprias limitações faz o ser humano querer ir mais longe, completar o que iniciou e querer fazer bem feito para a sua própria satisfação e crescimento. Uma criança satisfeita com seus feitos tem vontade de ajudar as outras crianças.

- as vezes a criança desta idade não gosta muito de demonstração de afeição e devemos respeitar isso. Mas a criança precisa constantemente saber que é querida. A afeição pode ser demonstrada pelo tom de voz com palavras e através de nossos atos, no lugar de beijos e abraços se a criança demonstrar que não quer ser beijada ou abraçada na frente dos amigos. As meninas por serem mais sentimentais podem ainda querer ser abraçadas e beijadas, mas não devemos forçar.
 - nesta idade aparece também o senso de humor. Tudo é engraçado e motivo para piadinhas e risadas, mesmo as tragédias que acontecem pelo mundo e que não as atinge diretamente. Devemos entender isso como um escape para não pensar em problemas que não podem ser resolvidos por eles e não se deve repreender a criança só por querer ‘animar um pouco a galera’. Com o tempo ela aprende a analisar as consequências do que a tragédia pode trazer de triste ao ser humano e terá compaixão.


De 12 a 14 anos
 Depois de uma fase boa em que a criança é mais confiante, um novo desafio chega a tona: é hora de sair da fase criança para se tornar um adolescente. Chamamos esta fase de pré-adolescência. É uma fase complicada e precisamos  ajudar os pré-adolescentes a lidar com ela.


- o pré-adolescente é instável, veemente (forte, intenso) e inconstante. Isso deve ser levado em conta antes de cobrarmos dele comportamentos que ele ainda não pode ter. O ser humano leva mais de vinte anos para amadurecer emocionalmente e vai depender do apoio que tiver recebido desde a infância. O caminho mais seguro é amar e respeitar o pré-adolescente. Cabe neste ponto lembrar que mente e emoções fazem parte da alma e tudo o que é colocado demasiadamente em ênfase fica mais profundo e mais difícil de esquecer e curar.

- a maturidade emocional é mais lenta nos meninos do que nas meninas, lembrando que meninos não são iguais às meninas na questão sentimentos. As meninas são mais desenvolvidas no lado emocional e sentimental enquanto que os meninos são mais racionais. Devemos ensinar isso às meninas para que não tenham expectativas utópicas sobre o comportamento dos meninos que não agirão de forma alguma como elas gostariam que fosse porque os meninos não sentem o que as meninas sentem. Eles são bem diferentes. Se ensinarmos desde esta idade a diferença entre meninas e meninos evitaremos grandes frustrações para as meninas sensíveis e sentimentais.

- nesta idade, o pré-adolescente chora ou ri sem razão aparente. Não precisamos nos preocupar com tudo o que dizem, pois como são instáveis logo estarão bem de novo e querendo procurar a turma. Mas devemos ter paciência.

- o pré-adolescente é leal à sua turminha. Portanto não devemos fazer um drama se ele dá mais importância aos coleguinhas do que aos pais. É só uma questão de autoafirmação e não envolve o que sentem em relação aos pais, a não ser que os pais comecem uma opressão e perseguição. Se os pais agirem desta forma, problemas estarão à vista: ou a criança vai se retrair e entrar numa de introspecção e depressão, ou vão entrar numa de rebeldia e desobediência. E vão se afastar dos pais opressores e perseguidores e o relacionamento entre eles estará prejudicado para toda a vida.

- o pré-adolescente é extremamente autoconsciente  e ele mesmo exige demais de si mesmo, por isso não precisamos complicar mais ainda.

- o pré-adolescente não gosta de chamar a atenção para si. Não devemos ficar falando dele na frente dos coleguinhas. Para completar a complicação, o pré-adolescente se sente mal entendido achando que ninguém compreende o que está sentindo. Devemos ter muita paciência com os pré-adolescentes nesta fase difícil, onde tudo está mudando, pois eles precisam sair de uma fase infantil para uma fase que caminha à adolescência. Estão agora no meio termo: não são mais crianças, mas também não são adolescentes ainda.

Na próxima semana falaremos sobre a vontade, que também faz parte da alma.

Abraço carinhoso!

Jocelyne Forrat - Preletora sobre Educação de Filhos - Para Novas Gerações Abençoadas e Libertas!
PROJETO "O Que é Que eu Faço com Meu Filho?" projeto.filhos@yahoo.com.br / jocelyneforrat@gmail.com

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