O Sistema Educacional do Futuro - Parte VI

Imagem; pesquisa Google

CONHECENDO A VONTADE EM CADA FASE

          Da mesma forma que a mente e as emoções, a vontade também faz parte da alma. Através dela tomamos atitudes para realizar aquilo que achamos que devemos fazer. A nossa vontade cogita entre o fazer ou não fazer, entre o querer ou não querer. Quando nos traz lembranças boas, nós queremos fazer. Por exemplo: um cheiro de comida que apreciamos na infância nos faz ter vontade de comer esta comida porque nos traz boas lembranças. Ou podemos saber, através do processo da mente, que o jasmim é uma flor muito cheirosa, mas podemos, pela vontade, não apreciá-la se ela foi usada no enterro de um ente querido, pois nos traz uma emoção triste, uma lembrança ruim.

Para educar o nosso comportamento, ou seja, para termos vontade de fazer o que faz bem para nós ou para outras pessoas, nós precisamos, desde pequenos, receber a base emocional de boas sensações e ser ensinados a fazer o bem. Conforme a faixa etária, nós tomaremos atitudes com o ser humano que possam fortalecer esta base emocional do lado positivo. Respeitar a criança é primordial, levando em conta a sua maturidade e a sua capacidade de compreensão.

Não se deve força a criança a fazer algo que ela não quer fazer, mas sim procurar entender o porquê dela não querer fazer e então achar um caminho positivo para que a criança possa realizá-lo. Por exemplo: a criança não quer dormir porque teve um dia agitado; precisamos acalmar a criança, lendo um livro ou falando ou cantando de mansinho e com carinho e então ela conseguirá dormir. Geralmente a criança precisa apenas de atenção, de alguém que sente ao seu lado e escute o que ela tem pra dizer.

As crianças ficam agitadas e tem comportamentos rebeldes quando não recebem atenção suficiente e quando são constantemente repreendidas. Desta forma elas tentam extravazar o acúmulo de sensações ruins formado pela falta de atenção. As crianças que recebem uma atenção positiva acumulam sensações boas que as confortam e lhes dão segurança para fazer o que precisa ser feito (comer, dormir, brincar, estudar etc.)

Uma palavrinha sobre a vontade por faixa etária:



De 2 a 3 anos
A criança de 2 a 3 anos é muito sensível e precisa de um ambiente que lhe traga segurança e liberdade. Ela vai observar tudo e todos que estiverem à sua volta e os comportamentos repetitivos serão imitados.

- os exemplos que damos aos pequeninos são muito importantes, pois é desta forma que a criança mais aprende. Se os adultos em volta dela gritam, murmuram ou reclamam o tempo todo e batem na criança para ter sossego, é exatamente isso que a criança vai aprender a fazer. Por outro lado, se a criança vive em um ambiente de paz e harmonia e lhe é dada a devida atenção falando-se com ela com voz branda e carinho, ela vai aprender como é bom tratar bem as pessoas porque ela vai se sentir bem, ela vai se sentir amada e isso é primordial. Então, quando ela crescer vai agir da mesma forma porque este foi o exemplo que lhe deram.

- a criança na idade de 2 a 3 anos descobre que é um indivíduo e que pode tomar decisões próprias. É quando surge a fase  do “não”, tanto do adulto como da criança. Nossas atitudes devem ser vigiadas para não provocar revoltas desnecessárias, ou seja, pense bem antes de dizer ‘não’ se realmente não existe a possibilidade de fazer o que a criança quer naquele momento. Não é fazer ‘tudo’ o que ela quer, mas sim procurar situações que a interessem e que ela possa se sentir útil, se sentir importante. Se o que ela estiver pedindo naquele momento não é possível fazer, então devemos dar uma explicação simples à criança do porque ela não pode fazer aquilo e em seguida damos uma sugestão e motivamos a criança a fazer algo que ela pode fazer.

- é importante criar oportunidades para que ela possa tomar decisões e fazer escolhas: por exemplo, se está frio e a criança quer vestir uma roupa de verão, então tiramos três opções de roupa de frio que ela possa vestir e a deixamos escolher.

- também é importante ensinarmos a disciplina nesta idade. Disciplinar é ensinar um sistema de organização, ensinar regras. Ensinar disciplina não significa gritar e bater e fazer obedecer de qualquer jeito, ensinar disciplina requer paciência e autocontrole para mostrar o que é certo fazer. E é assim que vamos conseguir uma criança obediente, porque estamos respeitando seus limites de entendimento. Sempre com voz branda. Disciplina não é ter um robozinho em casa que faz tudo o que a gente manda. Disciplinar é ensinar a criança, até onde ela é capaz de entender, que há coisas que podemos fazer e outras que não podemos. Devemos ensinar os limites, explicando até onde podem ir e lembrar isto sempre pra criança porque a memória dela é curta ainda. Com o tempo, a memória amadurece e a criança que ouviu repetidas vezes a regra de forma amável, vai se lembrar dela e vai agir com naturalidade, estando contente por obedecer. A disciplina depende igualmente dos exemplos que a criança presencia. Se as regras lhe foram impostas, vai se lembrar do momento ruim em que foi pressionada e agredida. A revolta que vem acumulando durante seu crescimento por causa das agressões, vai transbordar à qualquer hora.
A criança de 2 a 3 anos aprende com a repetição e se for ensinada com voz suave vai chegar à adolescência sabendo o que é certo fazer e querendo ajudar e cooperar com os outros. Tudo depende de como ensinamos.

De 4 a 5 anos

Ainda muito sensível, a criança de 4 a 5 anos continua seu intenso aprendizado baseado nas emoções e exemplos que lhe são dados. A vontade é de imitar os adultos. As crianças desta idade não aceitam bem as imposições, mas reagem positivamente às sugestões, pois amam cooperar nesta fase. Se formos ditadores a resposta será um sonoro “não”, mas se falamos gentilmente, eles estão prontos a fazer tudo o que pedimos, com alegria e se esforçam bastante porque gostam de se sentir úteis.

- a criança de 4 a 5 anos vai continuar imitando as ações e atitudes dos outros. Devemos tomar cuidado com os exemplos de comportamento que nós damos e com o nosso vocabulário, pois elas absorvem e imitam tudo e certos comportamentos podem se tonar hábitos.

- a criança de 4 a 5 a anos vai agir por sugestão (e não por imposição) e pelo que ela sente. Portanto se soubermos ser agradáveis e simpáticos com as crianças nesta fase, nós conseguiremos muito mais disciplina do que se usarmos a bruta autoridade.

- a criança agora se torna cooperadora. Para ela é importante ajudar, pois ela vai se sentir importante e descobrir o quanto pode fazer pelos outros. Isto deve ser incentivado, sem forçar, mas dando o exemplo e elogiando quando ela seguir o exemplo positivo.

- a disciplina e o carinho significam para esta idade uma prova de amor dos pais, para elas saberem que os pais se importam com ela. Então podemos abusar do carinho na hora certa, não em meio a manhas e sem obrigá-la ou pressioná-la. Se a criança está quieta brincando, nós temos que deixá-la em paz!

De 6 a 8 anos:

A faixa etária de 6 a 8 anos abre um grande portal na educação: a alfabetização. Esta fase é a descoberta de um novo mundo cheio de aventuras onde a criança começa a preparar a sua independência. A alfabetização pode ser feita em casa ou na escola, contanto que a pessoa que ensine seja paciente, alegre e motivadora. Um professor rígido e impaciente pode traumatizar a criança e bloquear o desenvolvimento do aprendizado.
- a criança desta idade é mais cooperativa do que em qualquer outra idade, mas agora ela tem vontade própria e está se autofirmando, as vezes resistindo à obediência, dependendo de como lhe dirigirmos a palavra. Devemos adaptar um modelo de flexibilidade verbal para atingir os nossos objetivos: a criança vai atender muito melhor a sugestões amáveis, do tipo “você poderia, por favor...” ou “vamos...” ou “que tal se nós...?”. Estes exemplos de solicitações serão gravados em sua mente e será o exemplo que seguirão mais tarde, pois a criança aprende pelos exemplos que lhe são dados.


- a sociedade e as escolas costumam incentivar a competição entre crianças. Porém, como a criança ainda está se desenvolvendo emocionalmente querendo ser aceita pelos outros, a competição vai trazer conflitos em seu interior: a vontade de cooperar contra a imposição de vencer os outros para ser elogiado. A vontade de ser melhor do que os outros desenvolve o orgulho e o complexo de superioridade que vão prejudicar a criança na sua vida social. Enquanto uns se vangloriam e desenvolvem o orgulho e o complexo de superioridade, outros são menosprezados e desenvolvem sentimentos ruins como o complexo de inferioridade ou o ciúme e a vontade de vingança. Ainda nesta idade, a brincadeira é mais saudável que a competição.

Dado o fato de que cada pessoa é um indivíduo diferente, que pensa e sente de forma diferenciada e que tem aptidões específicas, a competição é injusta. A sociedade impõe, desde a infância, padrões irracionais que criam conflitos interiores. O certo seria observar em quê cada ser humano tem mais habilidade e permitir que ele desenvolva o que sabe fazer de melhor.

De 9 a 11 anos

Infelizmente, a maioria dos adultos não compreende esta fase. A vontade de grandes feitos é enorme nesta faixa etária, quando as crianças de 9 a 11 anos despertam a vontade de alegrar e salvar o mundo! A não compreensão por parte dos adultos pode gerar muitos conflitos entre pais e filhos.

- a criança agora pode se rebelar contra os adultos que se comportam como ditadores. As crianças de 9 a 11 anos preferem quem demonstra simpatia e carinho. Por isso, se o adulto começar um jogo de ‘quem pode mais’ só vai trazer contendas. O amor e a paciência têm que prevalecer incondicionalmente, entendendo que a criança desta idade sabe pouco da vida ainda e quer se afirmar como pessoa. Um tom de voz de amizade e sem cobranças ou raiva sempre dão melhores resultados. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15:1)

- a criança nesta idade precisa e deseja direção na vida. Portanto nós devemos mostrar bons caminhos e permitir que elas aos poucos façam as suas escolhas. Ensinar com mansidão, sem gritos ou imposições, pois para a criança o mundo ainda é algo desconhecido. Ela precisa antes conhecer a si mesma, descobrir quais seus gostos e aptidões, antes de desenhar o seu futuro.
- nesta fase, a criança gosta muito de ir à casa dos outros para fazer trabalhos de escola. Devemos ficar atentos e saber em que ambiente a criança está e como são as pessoas que estão ao seu redor, tanto crianças quanto adultos. Às vezes um adulto pode parecer muito afetuoso e gentil e pode ser um pedófilo. Devemos prestar atenção às reações e conversas das crianças. O melhor é que as crianças estejam onde podemos dar uma olhada de vez em quando. Devemos conhecer quem são os pais ou parentes da criança aonde ela quer ir para passar a tarde, e isto é uma boa forma dos pais travarem novos conhecimentos e é também assunto para a reunião de pais e professores. Deve haver comunhão entre todas as pessoas que passam certo tempo com a mesma criança, para trocar percepções.


De 12 a 14 anos
 A pré-adolescência é uma fase difícil que inclui grandes mudanças no corpo e nas emoções. Estas transformações assustam e são difíceis de lidar para um ser humano que está saindo da infância para entrar na adolescência. Nós temos que nos armar de muita paciência e disposição para ouvir o que eles tem a dizer e orientá-los sem fazer drama. Ás vezes parece tudo perfeito e então, de repente, parece que o mundo vai desabar!. O melhor a fazer é tentar compreender que esta idade não é nada fácil para a criança, mas vai passar, e devemos demonstrar o nosso total apoio.


- o pré-adolescente é independente e quer ser considerado como um adulto. É claro que nós sabemos que ele está muito longe de saber o que é ser um adulto, mas nós devemos respeitar esta fase ajudando-o a perceber como são as coisas realmente. E na verdade, a ajuda que podemos dar é de apenas ouvir, porque ele chegará sozinho às conclusões óbvias e assim vai crescer sabendo que teve o direito de fazer suas próprias escolhas sem ter sido jogado de um lado para o outro nas opiniões alheias.

- o pré-adolescente aprecia aqueles que sabem dar liberdade para tomar decisões e também para negá-la dando razões, explicando os regulamentos para que entenda que são razoáveis e que são para o seu próprio bem. Ele ficará grato a quem lhe exigir obediência mesmo esperneando contra a ordem. Devemos algumas vezes, agir com firmeza, mas sem agressões. Bons argumentos convencem melhor do que o poder da autoridade que desperta a raiva.
Na próxima semana falaremos sobre o Relacionamento Social em cada faixa etária.
Abraço carinhoso :)

Jocelyne Forrat - Preletora sobre Educação de Filhos - Para Novas Gerações Abençoadas e Libertas!
PROJETO "O Que é Que eu Faço com Meu Filho?" projeto.filhos@yahoo.com.br / jocelyneforrat@gmail.com

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